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Entretanto, ao contrário do que muitos podem pensar,
cartao de crédito nao é privilégio de gente rica no Brasil. Pesquisa do Ibope
mostrou que as classes C, D e E já concentram 53% dos cartoes no país, por conta
principalmente dos private label. Tem mais. O estudo 'Mercado de Baixa Renda',
apresentado 3a feira passada em SP pela Credicard, revelou que existem, afinal,
15 milhoes de cartoes de crédito nas maos de brasileiros com renda entre R$ 300
e R$ 500 - representam 22% da base total. 13/02 Luiz Alberto Marinho
A emissao
de cartoes no segmento de baixa renda cresceu 97% entre 2001 e 2005. Só em 2005
esse percentual subiu 33%, enquanto nas demais faixas de renda o crescimento nao
passou de 25%. Claro que o gasto médio desses consumidores é menor - eles
respondem apenas por 6,5% das transaçoes. Mesmo assim, movimentam R$ 8,2 bi.
13/02 Luiz Alberto Marinho
Quase
sempre desprezados pelos bancos, 27% dos portadores de cartoes com baixa renda
contam apenas com o dinheiro de plástico para financiar suas compras. Mas,
espertos, tentam aproveitar promoçoes dos varejistas que oferecem parcelamento
sem juros - 76% deles usaram esse artifício em 2005, contra apenas 65% em 2004.
A maior parte dos gastos da baixa renda no cartao de crédito é para suprir
necessidades básicas - alimentaçao (35%), vestuário (23%), moradia (11%) saúde
(7%) e educaçao (2%). Mas, como pobre tambem é filho de Deus, 22% dos usuários
de cartoes com renda até R$ 500 também usufruem alguns prazeres sofisticados,
como veículos (7%), turismo e entretenimento (4%), hobby (2%) e despesas
diversas (9%). 13/02 Luiz Alberto
Marinho
A mensagem parece clara - os brasileiros de baixa
renda também possuem um alto nível de desejo associado ao consumo, assim como os
de melhor poder aquisitivo. Porém, o pouco dinheiro disponível acaba limitando o
grosso das suas compras ao necessário. A saída é apelar para o crédito. O
problema é que aqui no Brasil o dinheiro é caro. Crédito rotativo do cartao de
crédito ou cheque especial sao modalidades que praticam juros astronômicos.
Empréstimo em banco entao, nao dá nem para pensar. Recentemente, a única boa
notícia para quem ganha pouco foi o crédito consignado. Na briga pelo consumo da
camada mais pobre, levam vantagem lojas dispostas a financiar suas compras sem
juros ou praticando juros baixos. 13/02 Luiz Alberto
Marinho
Só tem um detalhe - esse pessoal que recebe até R$
500 por mês representa nada mais nada menos do que 62% da populaçao
economicamente ativa do país, algo em torno de 46 milhoes de pessoas. Ou as
marcas aprendem a entender e atender esses consumidores, ou vao continuar
perdendo muito dinheiro. Os cartoes de crédito ao menos já estao se mexendo.
Símbolos de status e prestígio, eles agora querem aprender a vender para os mais
pobres. Todas do Marinho, escolha uma na lista entre as opçoes aqui. 13/02 Luiz Alberto Marinho