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prox 10/10/07
'Gaiola se abre e a audiência voa' | Nelson
Hoineff no Observatorio sobre TV
14:44
Cai a audiência da Globo, especialmente a da novela
das 8. É prova de que "a era da massificaçao acabou", segundo o especialista
Nelson Hoineff - "O problema nao está em '2 Caras' mas no que essa novela - e
toda a programaçao que gira em sua volta - representa. Ontem, quem nao via essa
programaçao nao fazia parte do mundo. Hoje, é justamente o contrário". Ele
escreveu um alentado texto para o Observatorio da Imprensa. Leia trechos abaixo.
10/10 Blue Bus
"(.....)
A novela das 8 está fazendo 35 pontos, o que nao acontecia há 10 anos. Mas nao
está sozinha. O Fantástico estacionou em pouco mais de 20 pontos. Nos bons
tempos chegava a cravar 65. O Casseta e Planeta nao passa dos 25. E o próprio
Jornal Nacional está amargando a casa dos 30. A Record e o SBT disputam o 2o
lugar com médias mensais entre os 6 e 7 pontos (.....) Ou seja, o público nao
está migrando para outras redes. Está caminhando na direçao de outras mídias
(.....) As pessoas estao desligando seus aparelhos de televisao e ligando seus
computadores. Cerca de 36% dos televisores brasileiros estao desligados em pleno
horário nobre. Isso nunca havia acontecido".
"A
Telefônica, a BrT, a Oi, todas as teles, enfim, estao lançando suas grades de
IPTV, ainda timidamente, mas que em pouco tempo darao acesso à programaçao de TV
a todos que tiverem uma linha telefônica. O tempo em que 80% da sociedade
brasileira estava consumindo a mesma informaçao ao mesmo tempo é parte da
história. Nao voltará jamais. As crianças que estao nascendo agora demorarao
para acreditar que isso um dia aconteceu (.....) A personalizaçao do consumo
midiático é um fato extraordinário num país que tem a televisao aberta mais
abrangente do mundo (.....) As transmissoes digitais vao potencializar esse
quadro. Por isso as emissoras temem tanto qualquer passo que possa impactar o
modelo de negócios estabelecido há mais de 50 anos".
"A
partir de 2008 será, sim, o celular. A partir de entao, o horário nobre (que
concentra mais de 80% da receita das emissoras) nao será mais o período em que o
cidadao está em casa, mas todos os períodos em que ele estiver ocioso, seja no
trânsito ou no intervalo para o lanche. No Japao, 40% da audiência televisiva já
se dá pelo celular ou por qualquer outro tipo de receptor portátil. O japonês,
em grande medida, já prefere ver televisao no seu aparelho de bolso, mesmo
quando está em casa".
"Nao é simplesmente uma tendência local. Ganha um
doce quem encontrar um garoto de 15 anos que veja hoje televisao
sequencialmente. Que se sente com a família diante de um aparelho, como induziam
os anúncios de revistas dos anos 50. O consumo se individualizou e vai se
individualizar mais e mais, fazendo com que a curva assintótica se estenda ao
infinito. Mas as emissoras nao perceberam isso - ou nao querem acreditar no que
estao vendo. Ficam espantadas quando o garoto nao está vendo 'Paraíso Tropical'.
Acham que '2 Caras' vai resolver o problema. Mas esse problema nao mais será
resolvido (.....) A expansao da oferta do produto audiovisual está simplesmente
fazendo com que a verdade venha à tona. O jovem, que tem acesso a inúmeras
fontes de informaçao, sobretudo mas nao apenas pela web, olha para a sua
televisao e tudo aquilo lhe parece uma idiotice. Bota o seu fone de ouvido e vai
procurar a sua turma".
Leia a materia inteira no
Observatorio da Imprensa aqui.
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