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Primeiro,
'interatividade nao por mera interaçao'. Interatividade é colaboratividade,
troca de informaçao, aprimoramento e evoluçao. Uníssono em praticamente todas as
palestras - desde Maddog, ativista do Linux, aos hackers - todos defendem a
necessidade desta interaçao coletiva livre - ou seja, a interaçao ser um
instrumento de aprimoramento do conhecimento, através da colaboraçao. Este
conceito, apesar de aplicável a qualquer campo do conhecimento humano, aqui vem
à luz no contexto da tecnologia, afinal estamos falando de geeks e nerds. Para
esta 'lapidaçao coletiva' do conhecimento ser possível, pressupoe o fluxo livre
de informaçoes, proposta que vai contra a ordem vigente relativa ao tipo de
tecnologia (software) que adotamos. A grande maioria é de softwares
proprietários, cujos códigos nao divulgados impedem que qualquer pessoa possa
contribuir para seus aprimoramentos, pesquisando e descobrindo falhas, bugs ou
sgerindo upgrades. O bloqueio do fluxo da informaçao torna o desenvolvimento do
software mais lento, gargalando a evoluçao da tecnologia. (Aqui um parêntese -
quantos gargalos nao sao criados em nosso dia-a-dia por falta de deixar fluir
mais a informaçao?). 18/02 Thais
Rensi
Este conceito de colaboratividade também estava claro na
palestra de Steven Johnson, considerado um dos mais importantes estudiosos da
cultura digital. Citou um exemplo cotidiano - a descoberta de que o cólera nao
vinha do ar, mas sim da água, surgiu do cruzamento de informaçoes entre as
comunidades que se conectaram, percebendo que as pessoas que morriam da doença
eram aquelas que viviam próximas a reservatórios de água nas cidades.
Interessante, nao? A ordem aqui é dividir o conhecimento. A máxima que ouvi a
esse respeito, vinda de um dos organizadores do evento foi - "Se você tem uma
maça e eu tenho uma maça, e a gente trocar, você fica com uma maça e eu com a
outra maça. Se você tem uma idéia e eu tenho outra idéia, ao final, quando a
gente trocar, você vai sair com duas idéias e eu com duas idéias". Na era da
informaçao e do conhecimento, a ordem é dividir para somar. Faz sentido, nao? ;-
). 18/02 Thais Rensi
Seguindo,
agora 'o software como serviço e nao como produto'. Este é o lema dos defensores
do Linux. Nós temos mania de pensar em software como produto, né? Compramos o
tal pacote, bem tangível (dá até para embrulhar para presente!), e nos
acorrentamos para sempre à sabedoria de uma companhia, que será a única
responsável pela evoluçao daquele 'produto', com seus pacotes de atualizaçao.
Enquanto isso inúmeros softwares livres sao disponibilizados (e, aprendi lá,
livre nao quer dizer gratuito), que permitem que todo o resto da humanidade
possa colaborar com seu desenvolvimento, pois os códigos sao abertos e
divulgados e estao a serviço de todos. Ou melhor, todos a serviço deles :- ) A
idéia é que o software seja um mero prestador de serviço, para o armazenamento,
manuseio e troca de informaçao, seja ela qual for, aquela que lhe aprouver
(texto, imagem, dado, voz). O software é somente um meio, mantido e aprimorado
pela coletividade. Parece um raciocínio um tanto tribal, meio comunista - na
verdade uma auto regulaçao de uma sociedade nova, interconectada e colaborativa
- mas no meu entender o que está sendo proposto aqui é acessibilidade. 18/02 Thais Rensi
Softwares
livres prometem ser mais baratos e mais simples. Aparentemente, enquanto vivemos
a ilusao de "adquirirmos um produto", a velocidade de aperfeiçoamento e a
qualidade deste 'serviço' chamado software é que estao em jogo. Concluo - maior
usabilidade é maior penetraçao. 18/02 Thais
Rensi
Em tempo - a descoberta do protocolo TCP/IP (que
permite a conexao entre computadores e viabilizou a internet) é citada nos 4
cantos da Campus Party como exemplo de atitude colaborativa, pois seu código foi
mantido aberto e rapidamente evoluímos nesta tecnologia. Sem barreiras, em
poucos anos construímos a gigantesca World Wide Web, promovendo a revoluçqo
digital. Hoje, todos têm acesso livre a internet. Seu criador poderia ter ganho
rios de dinheiro se mantivesse o código como proprietário - e estaríamos na
idade da pedra com relaçao à internet - mas preferiu estimular e sustentar o
livre fluxo de informaçao. Soa kamikaze frente a uma realidade de mercado
capitalista, mas esta parece ser a atitude da nova era. O ganho deve ser
coletivo. Dividir para somar. 18/02 Thais
Rensi
Depois de viajar o pensamento anos luz neste futuro,
volto ao presente e revejo nossa troca de informaçao - muitas vezes precária,
mesmo a cotidiana - e nossos softwares proprietários, cheios de bugs e telas
azuis. Penso nas licenças, nos direitos autorais e na pirataria. Liberdade,
acessibilidade, fluxo livre de informaçao. Será possível controlar este
movimento? E mais - é aí que devemos empregar nossa energia? Na proibiçao e no
controle? 18/02 Thais Rensi
A Campus
Party mudou meu eixo de entendimento de valor desta nova era. Sao novas regras.
Nao é o código, é o que você faz com o código. Nao é a música, é o que você faz
com a música. Nao é a idéia, é o que você faz com a idéia. Acesso a informaçao e
conteúdo é direito (e dever) de todos na sociedade digital. Ganhar dinheiro com
isso sao outros quinhentos. Pensar desta forma parece assustador, mas abre
inúmeras possibilidades. É ver pra crer. Todas da Thais no Blue Bus, escolha uma
entre as disponiveis na lista aqui. 18/02 Thais Rensi