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anterior prox 25/02/08

Marinho | Para vender celular fique de olho no preço do feijao

11:08 A relaçao entre o apetite da populaçao dos países emergentes, especialmente China e Índia, o desenvolvimento pelas potências mundiais de novas opçoes energéticas como o biodiesel e o consumo de moda, eletrônicos e perfumes no Brasil é bem maior do que se pode supor. Por isso, quem quiser saber como as vendas no varejo vao se comportar por aqui em 2008 deve vigiar a evoluçao dos preços dos alimentos nos supermercados brasileiros. A explicaçao é óbvia - com raras exceçoes, as pessoas costumam abastecer a despensa antes de trocar a TV da sala, se deixar seduzir por um sapato novo ou fazer aquela tao sonhada viagem de férias. Por isso é importante acompanhar de perto a alta expressiva no custo dos alimentos, fenômeno de alcance global, diga-se de passagem, que restringe a renda discricionária e inibe o consumo das camadas populares e também da nossa classe média. 25/02 Luiz Alberto Marinho

Os reflexos da elevaçao no consumo de alimentos nos países emergentes, efeito colateral da onda de crescimento na economia global, foram sentidos claramente no mercado nacional. De acordo com o IBGE, em 2007 o preço do feijao subiu 104%, a batata ficou 70% mais cara e o frango aumentou 15%. A decisao dos EUA de investir na produçao de etanol fabricado a partir de milho agravou o cenário. Para você ter uma idéia do efeito dominó que isso desencadeia, basta dizer que o IGP-M da FGV encerrou 2007 em 7,75%, mais que o dobro do ano anterior, por culpa da inflaçao dos alimentos. Detalhe - como o IGP-M é o índice mais usado para calcular o reajuste dos aluguéis, as despesas de muita gente deram um salto no começo do ano. Vale lembrar ainda que a conta do almoço fora de casa também ficou mais salgada - 11,6% mais salgada, para ser bem preciso. 25/02 Luiz Alberto Marinho

Apesar de tudo isso, o varejo foi muito bem em 2007. A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE registrou crescimento de 9,6%, puxado exatamente pelos supermercados, seguidos por lojas de eletrodomésticos, móveis, moda e eletrônicos, coluna anterior aqui. Agora, imagine como os segmentos nao alimentícios poderiam ter crescido sem a pressao dos preços da comida sobre o orçamento dos brasileiros. O problema é que, apesar de uma auspiciosa desaceleraçao na inflaçao dos alimentos observada aqui em fevereiro, as consequências da demanda aquecida por commodities devem continuar a assombrar o varejo tupiniquim ao longo do ano e por isso mesmo devem ser consideradas nos planos de comunicaçao de anunciantes e agências. Afinal, resta pouca dúvida de que nesse mundo conectado em que vivemos, arroz e feijao concorrem diretamente com o celular, o tênis da moda e o cineminha com os amigos. Todas do Marinho no Blue Bus, escolha uma entre as opcoes aqui. 25/02 Luiz Alberto Marinho

O Marinho escreve no Blue Bus as 2as, 4as e 6as. Blog com bastidores aqui.


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