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Logo de cara, perguntei se anunciantes e agências, que em público dizem
que as fronteiras e as linhas desapareceram, na prática agem de forma coerente.
Fefa, com a sinceridade que a caracteriza, disse que nao. "Nós estamos vivendo
um momento de transiçao. O problema é que temos um choque de geraçoes" - disse.
E detalhou - "Existe um grupo de pessoas, que ainda toma muitas decisoes, que
tem dificuldade em ceder o controle. Eles foram treinados para manter o
controle. O cargo deles é Chief Executive Officer e nao Chief Collaboration
Officer". Ela espera mudanças - "Mas eu imagino que com a chegada de novos
talentos e com a abertura da cabeça de quem já está lá, o pensamento jovem vai
predominar”. 27/06 Luiz Alberto
Marinho
Fernanda saiu do Brasil há menos de 3 anos, mas já trabalhou nos EUA e
agora vive na Europa. Como ela compara o momento da comunicaçao nesses lugares?
"A Europa é tao antiga, tem tanta história, está tao estabelecida, que eles
acham que sabem o que estao fazendo e nao precisam mudar. Mas, na verdade, eles
estao assustados, porque os países nórdicos, como a Suécia, e a Ásia estao
chegando com muita coisa nova". Segundo ela "a Europa é um status quo em crise
existencial. Os EUA sao uma criança com uma arma na mao. Porque eles pensam que
podem fazer tudo, fazem muita coisa bacana e também muita porcaria". Compara -
"E o problema do Brasil é que a gente nao achou ainda a identidade. Todo mundo
fala da identidade latino americana, da identidade brasileira na publicidade e
eu nao acho que exista essa identidade". Critica - "A gente admira tanto o
trabalho dos EUA e da Inglaterra, que tenta copiar, ao invés de encontrar a
nossa identidade". 27/06 Luiz Alberto
Marinho
Mas, afinal, de onde viria essa identidade? Fernanda tem um palpite.
"Nós somos tao bons nas artes, por que nao buscar lá a inspiraçao para criar
nossa identidade na propaganda? Somos o país dos Irmaos Campana, do Gilberto
Gil, do Joao Gilberto, o país que inventou a bossa nova. Temos talento criativo,
só que na propaganda nós imitamos os outros em vez de criar o nosso próprio
estilo? Eu acho que o Brasil sofre de complexo de irmao mais novo. E quando a
gente derrubar esse complexo, aí nao vai ter quem nos segure”. 27/06 Luiz Alberto Marinho
Fefa acha que
falta ousadia na propaganda brasileira, mas admira o marketing direto, o
marketing promocional e a publicidade interativa nacionais. "A gente devia
respeitar mais essa galera. As agências mainstream deviam contratar os
profissionais que estao em marketing direto e em agência de promoçao. E nao
deixar a galera de internet ir morar fora... Tinha que deixar essas pessoas
mandarem ao menos um pouquinho nas agências. Porque aí a gente ia ver um
trabalho 'animal'...". 27/06 Luiz Alberto
Marinho
Terminada a entrevista, Fernanda saiu correndo para um almoço que
começaria em 10 minutos. Mesmo assim, ainda atendeu a várias pessoas que
esperavam para cumprimentá-la. Todas do Marinho no Blue Bus, escolha uma na
lista entre as opçoes aqui. 27/06 Luiz Alberto Marinho
O Marinho
escreve no Blue Bus as 2as, 4as e 6as. Blog com bastidores aqui.

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