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O outro exemplo é
a Zara, marca espanhola que também é sucesso no exterior. Aqui na Espanha, há
lojas em todas as esquinas e todo mundo usa. No Brasil, nao chega a ser uma
marca exclusiva, mas também está longe de ser popular. É preciso explicar que o
conceito de popular aqui da Europa é diferente do que se entende no Brasil.
Marcas populares européias sao aquelas que qualquer um pode pagar. E todo mundo
usa. Geralmente, sem preconceitos ou vergonha. No Brasil, marca popular é só
para os menos favorecidos. Quem tem um pouquinho mais de dinheiro tem vergonha
de usar. 05/08 Deborah Serra em
Barcelona
Na Europa, como as diferenças sociais sao muito menores, esse tipo de
preconceito quase nao existe. Para se ter uma idéia, as revistas apelam muito
aos brindes de uso pessoal como incentivo de venda. Cada mês tem bolsas, roupas
e sandálias novas nas bancas. E a classe média realmente usa a bolsa da Elle e o
vestido da Marie Claire. Sem nenhum problema. 05/08 Deborah Serra em Barcelona
Indo para o lado
da tecnologia, também vejo diferenças na relaçao com as marcas e produtos. Nesse
caso, nao pelo cultural, mas pelo social. Aqui, o iPod, por exemplo, está por
todas as partes. No ônibus, no metrô, na praia, todo mundo vai com seus fones
pela rua. Sem medo, sem perigo. Ninguém precisa fazer questao de esconder,
porque dificilmente será roubado. Pode até ser furtado, por descuido. Mas daí a
que alguém te aponte uma arma é quase impossível. Com tanta segurança, há uma
nova moda - usar o iPod shuffle, aquele bem pequenininho, preso na roupa como um
broche e ligado a enormes fones de ouvido, desses que tampam toda a orelha, de
uso profissional. Quer dizer, o pessoal da Apple trabalha à beça para fazer o
iPod o mais portátil possível e vem o consumidor e o leva para todas as partes
com um fone que nao cabe em lugar nenhum. Tem um redator lá na agência que só
anda assim. Perguntei o por quê e ouvi que comprou um iPod nao pelo tamanho, mas
pela qualidade do som. Segundo ele, sem um fone adequado, nao adianta -
argumenta. 05/08 Deborah Serra em
Barcelona
Fiquei curiosa para saber se essa moda também pegou no Brasil e lembrei
que tinha um amigo que, faz alguns anos, trocava o fone do seu iPod, só para
disfarçar, como se o iPod fosse um player de MP3 mais baratinho. E com isso
poderia andar tranquilo na rua. Pensei, entao, que, pelo menos nas cidades
grandes brasileiras, essa necessidade de esconder
qualquer-coisa-que-possa-ser-motivo-para-alguém-te-apontar-uma-arma interfere, e
muito, na relaçao dos consumidores com as marcas e produtos. Conheço gente, por
exemplo, que poderia ter um carro melhor, mas tem um popular para nao ser alvo
de violência. Infelizmente, no nosso país, as marcas também se tornaram reféns.
Todas da Deborah no Blue Bus, escolha uma entre as opçoes disponiveis na lista
aqui. 05/08 Deborah Serra em Barcelona



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