anterior prox 03/12/08
Marinho | Estudo q detalha a estética da baixa renda
faz descobertas 16:56 Apesar da crescente importância do consumo popular, muitas
marcas ainda patinam na hora de se comunicar com os brasileiros de baixa renda.
Um dos principais obstáculos que elas enfrentam é a dissonância entre o padrao
estético dos seus profissionais de marketing e publicidade e o gosto do povao.
Em outras palavras, o que é bonito para quem controla a comunicaçao nem sempre é
também apreciado por esse público-alvo. 03/12
Para ajudar a
corrigir o problema, a consultoria A Ponte, de André Torreta e Carol Escorel,
especializada no segmento BoP (Bottom of Pyramid), colocou câmaras nas maos de
moradores das periferias de SP e pediu que eles fotografassem as coisas bonitas
que viam no dia a dia. Os resultados dessa pesquisa pouco convencional
derrubaram alguns mitos, em especial a tese de que os mais pobres gostam de ver
pessoas louras de olhos azuis anunciando produtos baratos, porque aspiram ser
como elas. Entre outras coisas, o estudo descobriu que o povo está um pouco
cansado de se submeter aos padroes atuais de beleza. Prova disso é que a atriz
de TV negra Thais Araújo foi bem mais citada como exemplo do belo do que Gisele
Bundchen. A idéia de que a base da pirâmide nao acha feio o que é espelho, passa
também pela valorizaçao do bairro de moradia. Isso explica, por exemplo, porque
muitos dos que ascendem financeiramente continuam morando na mesma regiao de
antes. A relaçao entre acesso e beleza foi outra descoberta da Ponte - a baixa
renda tende a considerar mais belo o que está ao seu alcance. 03/12
Ainda de acordo com a pesquisa, a estética
popular valoriza o uso de cores variadas e vivas e está repleta de referências
ao hip hop, ao grafite e ao streetwear. Essa gente humilde gosta também de se
ver na comunicaçao das marcas e aprecia bastante o que é familiar, de letreiros
de lojas presentes em locais próximos as suas casas a propagandas de produtos
que integram suas listas de compras. Eles adoram marcas conhecidas, mas duvidam
de testemunhais inverossímeis. Em resumo, a estética dos brasileiros de menor
poder aquisitivo é sim influenciada pelo universo da elite nacional, reproduzida
inclusive pelas novelas da TV, mas também retrata a realidade do seu mundo. Para
falar a linguagem do povo, os profissionais encarregados de fazer a comunicaçao
das marcas devem esquecer um pouco as suas próprias referências culturais e
mergulhar de cabeça nessa fascinante colcha de retalhos popular - a recompensa
pode ser bem valiosa. 03/12
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