anterior prox 10/11/09
Ainda o caso da Uniban - visto por uma brasileira q
está fora do país 13:01 Por que tantas novas universidades particulares? Por que
essa popularizaçao medíocre do ensino superior brasileiro? O Marinho mostra, em
sua coluna aqui, que a escolha da instituiçao é, muitas vezes,
feita pela proximidade de casa e pelo preço. Nao pelo curso ou pela qualidade.
Ou seja, o que importa é ter um diploma. Qualquer um. Nao necessariamente uma
boa formaçao. Quem sao os culpados? As universidades que aproveitam esse nicho
de mercado? Os alunos menos privilegiados economicamente que encontram, ou assim
crêem, uma oportunidade de melhorar de vida ao ingressar em uma faculdade? Eu
acho que uma boa parte do problema está num sistema que exige curso superior
para tudo. Para ser vendedor de loja, é preciso ter concluído ou estar cursando
uma faculdade. Qualquer uma. Mas é preciso ter um título seja-lá-do-quê. 10/11 Deborah Serra em Barcelona
Onde estao os
cursos técnicos? Alguém os valoriza? Para uma pessoa que nao teve o privilégio
de ter um bom ensino fundamental ou mesmo para quem o teve, mas nao tem perfil
acadêmico, talvez fosse mais interessante ser um técnico com boa formaçao do que
um titulado medíocre que, possivelmente, nao vai encontrar uma boa colocaçao em
sua área. Mas a estrutura social do Brasil valoriza mais um advogado ruim do que
um carpinteiro muito bom. Ainda que seja só por status ou para ser o orgulho da
família. No Brasil, quem tiver acesso a ter um diploma vai querer tê-lo. Se a
formaçao vai ser boa, se ele vai ter espaço no mercado de trabalho, aí já sao
outras questões. Quantos taxistas formados em administraçao de empresa vemos por
aí? E quanto dá trabalho achar um bom bombeiro hidráulico? Nossa história
explica tudo isso. 10/11 Deborah Serra em
Barcelona
Aqui na Espanha, a questao é quase oposta. O acesso à universidade nao é
difícil. E mesmo que nao se consiga vaga numa instituição pública, há
possibilidades de bolsas para as particulares. Mas muita gente simplesmente
prefere nao ter um diploma. Talvez por simplesmente nao ter vocaçao para ser
médico e, sim, técnico em informática. Talvez porque seja possível viver
dignamente sendo carpinteiro, bombeiro hidráulico ou vendedor. Aliás, aqui, o
problema é outro. As diferenças salariais são tao pequenas entre um graduado e
um técnico, que muitos, ainda que tenham vocaçao acadêmica, acham que estudar é
perda de tempo. Nao é vergonha nenhuma ser carpinteiro ou garçom. A igualdade
tem seu lado positivo, mas a nao valorizaçao do estudo também é um problema para
o desenvolvimento do país. 10/11 Deborah Serra em
Barcelona
Voltando ao Brasil, acredito que há que encontrar um equilíbrio.
Investir e, sobretudo, reconhecer mais os cursos técnicos. E é a elite, a classe
empresarial, que tem que se mexer. Parar de exigir um diploma de arquitetura
para um posto de recepcionista. Ou um MBA em marketing para um cargo de
vendedor. E começar a pagar decentemente a recepcionista, o vendedor, o bombeiro
hidráulico, o carpinteiro e o técnico em informática. Sao questoes profundas e
que, é claro, nao se resolvem de uma hora para a outra. 10/11 Deborah Serra em Barcelona
Sobre a questao
específica do vandalismo na Uniban, nao acredito que aconteça por serem alunos
supostamente da periferia. Eu mesma dei aula numa universidade particular no
Brasil e tive alunos pobres e muito bem educados e outros com muito dinheiro e
sem nenhum valor moral. Todas da Deborah no Blue Bus. 10/11 Deborah Serra em Barcelona
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