House of Cards pra quê? Política brasileira é mto mais interessante, diz jornal alemao

Em matéria no Die Zeit intitulada “Intrigen wie bei ‘House of Cards’”(Intrigas como em House of Cards), o jornalista alemao Thomas Fischermann, atualmente residente no Rio de Janeiro, se pergunta porque as pessoas ainda estao interessadas no seriado da Netflix – “elas nao acompanham as notícias sobre a política brasileira?” O cenário descrito por Fischermann é, de fato, surreal. “Há um promotor que quer meter na cadeia um ex-presidente, cuja metade da equipe já está atrás das grades. Um presidente parlamentar que teria colocado milhoes em propinas em contas na Suíça, mas que, mesmo assim, continua no cargo e, com acusaçoes de corrupçao, quer afastar outros políticos do poder. E há protestos nas ruas, nos quais pessoas pedem o retorno da ditadura militar. Elas dizem: num sistema político falido como esse, qual a diferença?”. Segundo Thomas, os acontecimentos dos últimos dias sao fora do normal até mesmo para os padroes brasileiros. Ele observa que, desde as últimas eleiçoes, a oposiçao tenta, sem sucesso, derrubar Dilma e incriminá-la no escândalo de corrupçao da Petrobras – “só que, para decepçao deles, Dilma nao tinha nada a ver com isso”. “Nem mesmo as determinadas equipes de promotores nem a imprensa investigativa (frequentemente ligada à oposiçao, pois financiada por oligarcas) conseguiu comprovar algo de concreto. E isso nao se deu por falta de afinco.” A reportagem também fala do processo de impeachment, do “bloqueio total do parlamento pela oposiçao” e das recentes açoes contra o ex-presidente Lula. Para Fischermann, a única coisa que falta nessa história toda é uma moral. “Claro que se pode afirmar categoricamente – como fazem alguns manifestantes por esses dias – que todos os políticos suspeitos de corrupçao deveriam ser varridos para fora. Mas aí nao sobraria quase ninguém em Brasília. A única possível exceçao seria justamente Dilma Rousseff.” Em seu perfil no Facebook, o jornalista compartilha alguns dos comentários raivosos que vem recebendo por causa de sua matéria, entre eles –“Volte para a Alemanha e escreva sobre Angela Merkel” e “Por que você nao compara a política alemã com a lista de Schindler?”. Via Deutsche Welle.

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