Um museu que escolheu olhar para o futuro – texto da Tania Savaget

Adoro ir a museus. Bem mais do que minhas filhas gostariam. Quando viajamos, sao os primeiros lugares que vamos. E, tanto em Sao Paulo quanto no Rio, sao programas frequentes.  Sempre que aparece uma nova exposiçao, estamos lá na fila. De um modo geral museus gostam de olhar para trás. Os mais famosos colecionam peças e histórias do passado. Por isto, só pelo nome, já gosto muito do Museu do Amanhã. É muito interessante poder pensar no passado, mas também pensar nos nossos próximos anos, projetando futuros e aprendendo que o tempo de agir é agora.

Assisti a uma fala do Luiz Alberto Oliveira, seu fundador, e fiquei bastante impressionada com tudo o que ele falou. Pensar que, como espécie, estamos transformando o mundo de uma forma tao impactante a ponto da nossa história estar entrando na geologia e nos encontramos no antropoceno, é muito assustador. Precisamos, de fato, atuar logo e fazer novas escolhas pra manter nosso planeta vivo. As tendências que ele selecionou apontam para uma urgência. Os sinais estao aí. O clima nos mostra momentos de muita chuva concentrada e outros de enorme estiagem. Sao Paulo já está vivendo estes efeitos.

Além disto, há uma previsao de sermos 10 bilhoes em 2050 e o crescimento vai ser maior nas áreas mais pobres. Estamos com mais 25 anos na expectativa de vida, o que vai fazer com que um terço da populaçao tenha mais de 60 anos. Estamos alterando a biodiversidade, expandindo nosso conhecimento e, aos poucos, virando mesmo uma espécie planetária. Com tanta gente diferente concentrada em algumas cidades, os conflitos devem aumentar. Tudo isto, claro, foi resultado das nossas escolhas e está aí, na vida. Para que os novos museus nao registrem esta nossa era como algo devastador, é preciso pensar agora. Como será o amanhã?

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